Radar P&P — 29 de outubro de 2026

Ibovespa acumula novas perdas, juros longos brasileiros voltam a subir e Fed mantém taxas americanas. No exterior, bolsas asiáticas apresentam desempenho misto, enquanto o petróleo recua diante de possíveis negociações diplomáticas no Oriente Médio.

O Radar do Mercado de 29/10/2026 destaca a persistência das pressões domésticas sobre a bolsa brasileira, apesar da relativa estabilidade dos mercados internacionais.

O principal fator de atenção continua sendo a curva de juros brasileira, enquanto inflação americana, petróleo e resultados corporativos movimentam o cenário global.

Informações disponíveis na manhã de 29/10, antes da abertura da B3.

🇧🇷 Ibovespa: terceira queda consecutiva

O Ibovespa encerrou quarta-feira aos 171.006 pontos, com queda de 2,67%.

O dólar comercial apresentou relativa estabilidade, fechando próximo de R$ 5,346.

Desde sexta-feira, último pregão anterior ao segundo turno presidencial, as empresas listadas perderam aproximadamente R$ 873 bilhões em valor de mercado.

A pressão continua concentrada em bancos e empresas mais sensíveis aos juros.

A estabilidade cambial contrasta com a continuidade das perdas na bolsa, indicando que a reavaliação dos riscos domésticos ainda não terminou. Folha de S.Paulo

🌎 Bolsas internacionais: tecnologia provoca movimentos divergentes

Wall Street encerrou quarta-feira com ganhos moderados:

ÍndiceVariação
Dow Jones+0,19%
S&P 500+0,28%
Nasdaq+0,27%

Nesta manhã, os mercados asiáticos apresentam comportamento misto.

O Nikkei japonês avançava aproximadamente 1%, enquanto o Kospi sul-coreano recuava 1,2%.

Na China, o CSI 300 caía 0,8%.

Os resultados das grandes empresas de tecnologia provocaram movimentos expressivos no mercado americano após o fechamento, pressionando os futuros do Nasdaq.

Para a B3: a volatilidade tecnológica representa um fator global, mas não explica isoladamente a intensidade das perdas brasileiras. Reuters

🇺🇸 Fed mantém juros, mas inflação continua preocupando

O Federal Reserve manteve ontem os juros entre 3,75% e 4% ao ano.

A decisão recebeu dez votos favoráveis e dois contrários. Os dissidentes defendiam uma elevação de 0,25 ponto percentual.

O banco central americano reconheceu a força da atividade econômica, mas destacou que a inflação permanece elevada.

O Treasury de dez anos encerrou quarta-feira próximo de 5,02% ao ano. Durante a madrugada, os títulos americanos receberam maior demanda, reduzindo parcialmente seus rendimentos.

O mercado continua considerando a possibilidade de nova elevação dos juros em dezembro.

Para o Brasil: juros americanos persistentemente elevados aumentam a concorrência internacional por capital e podem pressionar moedas emergentes. Reserva Federal

🛢️ Petróleo e geopolítica: recuo não elimina riscos

O Brent recuava nesta manhã, negociado próximo de US$ 114,47 por barril.

A possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a redução dos preços.

Entretanto, permanecem os riscos associados aos ataques contra instalações energéticas e às restrições de abastecimento no Oriente Médio.

Para o Brasil, o petróleo elevado apresenta efeitos contraditórios: favorece receitas de exportadoras, mas aumenta pressões sobre combustíveis, transporte e inflação.

O fator relevante continua sendo a duração das restrições de oferta, não apenas a oscilação diária da commodity. Reuters

🇨🇳 China e minério de ferro

O mercado chinês continua pressionado pelas dificuldades do setor imobiliário e pela demanda enfraquecida por aço.

Na referência verificada de terça-feira, 27/10, o minério de ferro negociado em Singapura recuou para aproximadamente US$ 89,45 por tonelada, atingindo o menor patamar em mais de dois anos.

A combinação entre consumo siderúrgico moderado e perspectivas de aumento da oferta limita a recuperação dos preços.

Não foi possível confirmar uma cotação mais recente suficientemente confiável para esta manhã.

Para a B3: o cenário permanece desfavorável às receitas de mineradoras e siderúrgicas. Business Recorder

📉 Curva de juros brasileira: pressão persiste

Os juros futuros longos voltaram a subir na quarta-feira.

O DI para janeiro de 2035 encerrou próximo de 15,11% ao ano, enquanto o contrato para janeiro de 2028 permaneceu próximo de 14,38%.

A diferença entre os vencimentos evidencia a preocupação com riscos de longo prazo.

Juros elevados encarecem o crédito, reduzem a atratividade econômica de novos investimentos produtivos e aumentam os custos de financiamento.

O principal fator doméstico continua sendo a exigência de maior remuneração para assumir riscos associados à trajetória fiscal brasileira. Folha de S.Paulo

🏦 Selic, Copom e inflação brasileira

A Selic permanece em 13,75% ao ano.

O Copom realizará sua próxima reunião nos dias 3 e 4 de novembro.

A autoridade monetária precisará avaliar a inflação diante da recente desvalorização cambial, dos juros internacionais elevados e das expectativas fiscais.

A valorização do dólar pode aumentar os preços de produtos importados e insumos industriais, dificultando o controle inflacionário.

A trajetória das expectativas de inflação será importante para compreender as próximas decisões monetárias. Banco Central de Brasil

🏛️ Cenário fiscal e político-institucional

O mercado continua aguardando definições sobre a política econômica de 2027.

Entre os assuntos em discussão estão a composição da equipe econômica, o Orçamento federal e possíveis alterações tributárias.

A proposta de alíquota de referência da CBS próxima de 11,3% e as discussões sobre tributação de investimentos atualmente isentos acrescentaram incertezas.

Entretanto, propostas e estudos não equivalem a medidas definitivamente aprovadas.

O fator relevante será a apresentação de medidas concretas capazes de esclarecer a trajetória das despesas, receitas e dívida pública. Folha de S.Paulo

📅 Agenda econômica: quinta-feira movimentada

Os principais acontecimentos previstos são:

  • Estados Unidos: divulgação do PIB do terceiro trimestre e do índice de inflação PCE de setembro.
  • Europa: decisão de juros do Banco Central Europeu.
  • Brasil: IGP-M de outubro e indicadores de crédito.

Os dados americanos poderão modificar as expectativas para os próximos movimentos do Fed. Boletim Nacional

🔎 O que realmente importa?

Movimento global: decisão do Fed, resultados das empresas de tecnologia, petróleo e indicadores americanos.

Fatores brasileiros: juros longos elevados, incertezas fiscais e persistência das perdas na bolsa.

Sinais relevantes: trajetória da curva de juros, medidas fiscais concretas, inflação americana e comportamento do câmbio.

Ruído: especulações políticas sem consequências econômicas verificáveis, propostas ainda indefinidas e oscilações isoladas sem alteração dos fundamentos.

📌 Leitura final

O cenário internacional apresenta movimentos mistos, com atenção concentrada nos resultados corporativos e na política monetária americana.

No Brasil, a estabilidade relativa do dólar ainda não foi acompanhada por recuperação da bolsa ou redução consistente dos juros longos.

A persistência dos prêmios de risco brasileiros permanece como principal fator doméstico de atenção.

A evolução das expectativas fiscais e inflacionárias será determinante para compreender o comportamento dos mercados nas próximas sessões.

📚 Fontes consultadas

📊 Painel do Radar — 29 de outubro

VetorAvaliação para o Ibovespa
Bolsas internacionais🟡 Neutro — movimentos mistos
Treasuries americanos🔴 Desfavorável — juros elevados
Fed e inflação americana🔴 Desfavorável
Dólar internacional🟡 Neutro
Petróleo🟡 Neutro — efeitos mistos
Geopolítica internacional🔴 Desfavorável
China🟡 Neutro
Minério de ferro🔴 Desfavorável
Câmbio brasileiro🟡 Neutro — relativa estabilidade
Selic e Copom🟡 Neutro — decisão pendente
Inflação brasileira🔴 Desfavorável — riscos persistentes
Curva de juros brasileira🔴 Desfavorável
Cenário fiscal🔴 Desfavorável
Cenário político-institucional🟡 Neutro — definições pendentes
Cenário global🟡 Neutro, com riscos inflacionários
Cenário doméstico🔴 Desfavorável pela persistência dos juros elevados e riscos fiscais

Classificações qualitativas, sem caráter preditivo. Não representam expectativas para o pregão de 29/10/2026.

Radar P&P — informação para compreender, não para prever.

Conteúdo exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de compra ou venda de ativos nem sugestão de operações financeiras.

Conhecimento para investir. Paciência para prosperar.

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