Ibovespa permanece pressionado após a forte queda de segunda-feira, enquanto dólar e juros futuros apresentam acomodação parcial. No exterior, bolsas asiáticas avançam, impulsionadas pela tecnologia, mas o petróleo volta a subir e o mercado aguarda a decisão do Federal Reserve.
O Radar do Mercado de 28/10/2026 destaca a diferença entre a recuperação das bolsas internacionais e a persistência das incertezas fiscais brasileiras.
O principal fator doméstico é a evolução dos juros longos, enquanto petróleo e política monetária americana concentram as atenções internacionais.
Informações disponíveis na manhã de 28/10, antes da abertura da B3.
🇧🇷 Ibovespa: acomodação ainda não significa recuperação
O Ibovespa encerrou terça-feira aos 175.710 pontos, queda de 0,51%.
Na segunda-feira, o índice havia recuado 13,88%, após o resultado eleitoral.
O dólar comercial caiu 1,07% na terça-feira, encerrando a R$ 5,3488.
A redução da pressão cambial não foi acompanhada por recuperação consistente da bolsa. O movimento indica que a reavaliação dos riscos brasileiros continua em andamento.
A estabilização do dólar representa um alívio pontual, mas não elimina as preocupações com juros e contas públicas. UOL Economía
🌎 Bolsas internacionais: tecnologia impulsiona a Ásia
Wall Street encerrou terça-feira em alta:
| Índice | Variação |
| S&P 500 | +0,60% |
| Nasdaq | +1,18% |
| Dow Jones | +0,03% |
Nesta manhã, o Kospi sul-coreano avançava mais de 6%, impulsionado pelos resultados da SK Hynix.
O Nikkei japonês subia aproximadamente 1,1%, enquanto o CSI 300 chinês avançava 0,7%.
Impacto na B3: o ambiente externo apresenta melhora, mas o movimento está concentrado em tecnologia e não representa necessariamente maior demanda por ações brasileiras. Reuters
🇺🇸 Fed, Treasuries e inflação americana
O Federal Reserve anuncia nesta quarta-feira sua decisão sobre os juros americanos.
A expectativa predominante é de manutenção da taxa, atualmente entre 3,75% e 4% ao ano.
O Treasury de dez anos encerrou terça-feira próximo de 4,99% ao ano.
O petróleo elevado continua representando risco para a inflação americana.
Para o Brasil: juros elevados nos Estados Unidos aumentam a concorrência internacional por capital. O comunicado do Fed será importante para avaliar a duração dessa política monetária restritiva. Reuters
🛢️ Petróleo e geopolítica: nova pressão inflacionária
O Brent avançava aproximadamente 1,4% nesta manhã, negociado próximo de US$ 115,47 por barril.
O movimento ocorreu após os houthis reivindicarem um ataque contra uma importante refinaria saudita. As autoridades sauditas ainda não haviam confirmado o episódio na atualização consultada.
A possibilidade de interrupções no abastecimento mantém elevado o prêmio de risco energético.
Para o Brasil, os efeitos são mistos: petróleo caro pode favorecer exportadoras, mas pressiona combustíveis, transporte e inflação.
O risco relevante é a persistência das restrições de oferta. Reuters
🇨🇳 China e minério de ferro
Apesar da recuperação das bolsas chinesas, o mercado de minério de ferro continua enfraquecido.
Na terça-feira, o contrato negociado em Dalian recuava 1,19%, para 662 iuanes por tonelada, enquanto a referência de Singapura atingia aproximadamente US$ 89,45.
Os preços chegaram aos menores níveis em mais de dois anos.
A demanda siderúrgica reduzida e as expectativas de aumento da oferta continuam pressionando a commodity.
Para a B3: o minério enfraquecido representa um fator desfavorável para mineradoras e siderúrgicas. miningweekly.com
📉 Curva de juros brasileira: alívio parcial
Os juros futuros recuaram na terça-feira, após a forte elevação de segunda.
O DI para janeiro de 2031 encerrou próximo de 14,91% ao ano, enquanto o contrato para janeiro de 2028 ficou em 14,34%.
O movimento ocorreu em meio à atuação do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos e à redução parcial da pressão cambial.
Entretanto, os juros longos continuam elevados.
Taxas persistentes nesse patamar encarecem o financiamento das empresas e aumentam o custo de rolagem da dívida pública. Folha de S.Paulo
🏦 Selic, Copom e inflação brasileira
A Selic permanece em 13,75% ao ano.
O IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, abaixo das expectativas, mas acumula 4,62% em doze meses.
A próxima reunião do Copom acontecerá em 3 e 4 de novembro.
O Banco Central precisará avaliar o alívio recente da inflação diante da desvalorização cambial acumulada e do aumento dos riscos fiscais.
A trajetória do dólar poderá influenciar as expectativas inflacionárias e as decisões monetárias. Agência Gov
🏛️ Cenário fiscal e institucional
Após a reeleição presidencial, as atenções permanecem concentradas na política econômica de 2027.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou o compromisso com a responsabilidade fiscal e indicou a preparação de medidas de ajuste.
Entretanto, declarações ainda precisam ser acompanhadas por propostas concretas.
O fator determinante será a capacidade de apresentar medidas verificáveis para despesas, receitas e trajetória da dívida pública. UOL Economía
🔎 O que realmente importa?
Movimento global: recuperação tecnológica, decisão do Fed e alta do petróleo.
Fatores brasileiros: juros longos elevados, expectativas fiscais e acomodação parcial do câmbio.
Sinais relevantes: medidas fiscais concretas, comportamento da curva de juros e reação internacional à decisão do Fed.
Ruído: especulações sobre integrantes da equipe econômica e oscilações isoladas sem mudanças nos fundamentos.
📌 Leitura final
O cenário internacional apresenta melhora nas bolsas, mas o petróleo e os juros americanos continuam impondo riscos.
No Brasil, a redução parcial da pressão cambial e dos juros futuros ainda não representa uma recuperação consolidada.
A principal questão é saber se a acomodação financeira será acompanhada por medidas econômicas capazes de reduzir os prêmios de risco brasileiros.
A decisão do Fed acrescenta um componente internacional importante à avaliação dos mercados nesta quarta-feira.
📚 Fontes consultadas
- Reuters — Mercados globais, 28/10/2026.
- Reuters — Petróleo e geopolítica, 28/10/2026.
- Reuters — Minério de ferro e China, 27/10/2026.
- Reuters — Fechamento do dólar, 27/10/2026.
- Folha de S.Paulo — Ibovespa e juros futuros, 27/10/2026.
- IBGE — IPCA-15 de outubro.
- Banco Central — Calendário do Copom.
📊 Painel do Radar — 28 de outubro
| Vetor | Avaliação para o Ibovespa |
| Bolsas internacionais | 🟢 Favorável |
| Treasuries americanos | 🔴 Desfavorável — juros elevados |
| Fed e inflação americana | 🟡 Neutro — decisão pendente |
| Dólar internacional | 🟡 Neutro |
| Petróleo | 🟡 Neutro — efeitos mistos |
| Geopolítica internacional | 🔴 Desfavorável |
| China | 🟡 Neutro |
| Minério de ferro | 🔴 Desfavorável |
| Câmbio brasileiro | 🟡 Neutro — acomodação parcial |
| Selic e Copom | 🟡 Neutro |
| Inflação brasileira | 🟡 Neutro |
| Curva de juros brasileira | 🔴 Desfavorável |
| Cenário fiscal | 🔴 Desfavorável |
| Cenário político-institucional | 🟡 Neutro — definições pendentes |
| Cenário global | 🟡 Neutro, com melhora das bolsas |
| Cenário doméstico | 🔴 Desfavorável pela persistência dos riscos fiscais e financeiros |
Classificações qualitativas, sem caráter preditivo. Não representam expectativas para o pregão de 28/10/2026.
Radar P&P — informação para compreender, não para prever.
Conteúdo exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de compra ou venda de ativos nem sugestão de operações financeiras.
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