Sexta-feira | Edição da manhã | Brasil e mercados internacionais
Ibovespa perde os 170 mil pontos, dólar sobe e juros brasileiros permanecem pressionados. No exterior, ações de tecnologia recuam, enquanto investidores procuram proteção nos títulos americanos.
O Radar do Mercado de 30/10/2026 analisa a combinação de maior aversão global ao risco e preocupações especificamente brasileiras com juros e contas públicas.
Dados de fechamento de 29/10 e referências internacionais da manhã de 30/10.
🇧🇷 Ibovespa, dólar e EWZ
O Ibovespa encerrou quinta-feira aos 169.186 pontos, queda de 1,06%, acumulando quatro sessões consecutivas de perdas.
O dólar comercial avançou 0,89%, para R$ 5,3878.
Nos Estados Unidos, o EWZ, ETF de ações brasileiras, fechou a US$ 33,14, recuo de 1,43%.
O EWZ acompanha o MSCI Brazil, não exatamente o Ibovespa. Sua cotação também reflete movimentos cambiais.
Leitura: a pressão sobre ativos brasileiros permanece significativa, mesmo considerando o ambiente internacional desfavorável.
🌎 Bolsas internacionais e Treasuries
Wall Street encerrou quinta-feira em queda:
| Índice | Variação |
| S&P 500 | −0,30% |
| Nasdaq | −1,38% |
| Dow Jones | −0,25% |
O movimento foi liderado pelas empresas de tecnologia, diante de preocupações com os investimentos em inteligência artificial.
Nesta manhã, o Nikkei japonês recuava aproximadamente 2,1%, enquanto o Kospi sul-coreano apresentava perdas superiores a 3%.
Em sentido contrário, o Treasury americano de dez anos recuava para aproximadamente 4,91% ao ano, refletindo maior procura por títulos públicos.
Leitura: a aversão global ao risco prejudica ações, mas favorece temporariamente os títulos considerados mais seguros.
🇺🇸 Fed e inflação americana
O Federal Reserve manteve os juros entre 3,75% e 4% ao ano.
Os indicadores divulgados quinta-feira mostraram crescimento anualizado de 3,4% do PIB americano no terceiro trimestre e inflação PCE de 3,6% em doze meses.
A economia permanece aquecida, enquanto a inflação continua acima da meta de 2%.
Impacto: juros americanos elevados aumentam a concorrência internacional por capital e podem pressionar mercados emergentes.
🛢️ Petróleo, China e minério
O Brent permanecia próximo de US$ 116 por barril, diante dos riscos de interrupção do abastecimento no Oriente Médio.
Petróleo elevado favorece receitas de exportadoras, mas pressiona combustíveis e inflação.
Na China, persistem dificuldades no setor imobiliário e dúvidas sobre a demanda siderúrgica.
O minério de ferro apresentou recuperação pontual na quinta-feira, após perdas anteriores.
Leitura: o petróleo mantém riscos inflacionários, enquanto o minério depende de uma recuperação mais consistente da demanda chinesa.
📉 Juros, Selic e inflação brasileira
O DI para janeiro de 2031 encerrou quinta-feira próximo de 15,16% ao ano, refletindo a persistência dos prêmios de risco brasileiros.
A Selic permanece em 13,75%, com reunião do Copom marcada para 3 e 4 de novembro.
A recente valorização do dólar, combinada ao petróleo elevado, acrescenta riscos às expectativas inflacionárias.
Leitura: juros longos elevados encarecem financiamentos e pressionam empresas mais dependentes de crédito.
🏛️ Fiscal e cenário institucional
A dívida bruta brasileira atingiu 82,93% do PIB em setembro.
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 5,5 bilhões no mês.
Embora o Governo Central tenha apresentado superávit, parte do resultado decorreu de receitas extraordinárias.
As definições sobre a política econômica de 2027 continuam no centro das atenções.
Leitura: a trajetória recorrente das contas públicas importa mais que resultados pontuais ou especulações sobre integrantes da equipe econômica.
🔎 O que realmente importa?
Movimento global: queda das ações de tecnologia, inflação americana elevada e riscos associados ao petróleo.
Fatores brasileiros: juros longos, dívida pública, câmbio e incertezas fiscais.
Sinais relevantes: curva de juros, medidas fiscais concretas, comportamento do EWZ e expectativas para o Copom.
Ruído: especulações políticas sem consequências econômicas verificáveis e oscilações isoladas de baixa liquidez.
📌 Leitura final
A aversão internacional ao risco amplia a pressão sobre um mercado brasileiro já fragilizado.
O recuo dos Treasuries oferece algum alívio externo, mas os juros longos e a trajetória fiscal permanecem como principais fatores domésticos de atenção.
📊 Painel do Radar
| Vetor | Avaliação |
| Bolsas internacionais | 🔴 Desfavorável |
| Fed e inflação americana | 🔴 Desfavorável |
| Treasuries | 🟢 Favorável |
| Petróleo e geopolítica | 🔴 Desfavorável |
| China e minério | 🟡 Neutro |
| EWZ | 🔴 Desfavorável |
| Câmbio brasileiro | 🔴 Desfavorável |
| Selic e Copom | 🟡 Neutro |
| Curva de juros | 🔴 Desfavorável |
| Cenário fiscal | 🔴 Desfavorável |
| Cenário institucional | 🟡 Neutro |
| Cenário global | 🔴 Desfavorável |
| Cenário doméstico | 🔴 Desfavorável |
Avaliações qualitativas, sem caráter preditivo.
📚 Fontes consultadas
- Federal Reserve — política monetária.
- BEA — PIB e inflação americana.
- Banco Central do Brasil — Selic e estatísticas fiscais.
- Tesouro Nacional — resultados fiscais.
- iShares — informações do EWZ.
- Reuters — mercados internacionais e commodities.
Conteúdo informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento.
Conhecimento para investir. Paciência para prosperar.
