Radar P&P — 26 de outubro de 2026

Reeleição de Lula provoca forte reação dos ativos brasileiros no exterior. ETF de ações brasileiras recua quase 20% nas negociações noturnas, enquanto o dólar futuro internacional indica desvalorização do real. No cenário global, petróleo e juros americanos continuam no centro das atenções.

O Radar P&P desta segunda-feira destaca a repercussão econômica do segundo turno presidencial e seus possíveis efeitos sobre o Ibovespa, o câmbio e a curva de juros.

A prioridade é distinguir a reação inicial dos investidores de mudanças efetivas nos fundamentos econômicos brasileiros.

🗳️ Brasil: resultado eleitoral e reação internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo, 25 de outubro, derrotando o senador Flávio Bolsonaro.

Com praticamente todas as urnas apuradas, o resultado indicava aproximadamente 51,78% dos votos válidos para Lula e 48,22% para Bolsonaro.

A repercussão financeira começou ainda no domingo, quando ativos brasileiros negociados no exterior registraram quedas expressivas.

A explicação predominante entre profissionais de mercado é a reversão de posições construídas sobre expectativas de mudança na política econômica. Reuters

📉 ADRs e ETF brasileiro: fortes perdas noturnas

Por volta de 1h de segunda-feira, os seguintes movimentos eram registrados em Nova York:

IndicadorVariação aproximada
ETF brasileiro EWZ🔴 -19,61%
ADRs de bancos brasileiros🔴 -10% a -18%
ADRs de petroleira brasileira🔴 -15,9%
ADR de grande mineradora brasileira🔴 -4,19%
Real futuro em Chicago🔴 -10,14%

O contrato de real indicava cotação equivalente a aproximadamente R$ 5,57 por dólar, contra cerca de R$ 4,99 no fechamento brasileiro de sexta-feira.

Atenção: essas negociações apresentam liquidez reduzida. A queda do EWZ, cotado em dólares, incorpora efeitos cambiais e não equivale automaticamente à variação do Ibovespa. Exame

🌎 Bolsas internacionais: cautela, sem queda generalizada

Os mercados asiáticos apresentam comportamento relativamente estável nesta manhã.

O Nikkei japonês recuava 0,2%, enquanto o Kospi sul-coreano perdia 0,5%. O CSI 300 chinês caía aproximadamente 0,5%.

Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 avançavam 0,2%, enquanto os do Nasdaq subiam 0,1%.

A diferença é relevante: a pressão sobre os ativos brasileiros é muito mais intensa que o movimento observado nas principais bolsas internacionais.

Isso reforça a influência de fatores especificamente domésticos. Reuters

🇺🇸 Fed, Treasuries e inflação americana

O Treasury americano de dez anos negociava próximo de 4,97% ao ano.

O Federal Reserve anunciará sua decisão monetária nesta quarta-feira, 28 de outubro.

A expectativa predominante é de manutenção dos juros, enquanto a inflação americana continua pressionada.

Juros elevados nos Estados Unidos aumentam a concorrência por capital internacional e podem dificultar a recuperação de mercados emergentes.

Entretanto, a relativa estabilidade dos Treasuries nesta manhã não explica, isoladamente, a intensidade das perdas dos ativos brasileiros. Reuters

🛢️ Petróleo e geopolítica

O Brent recuava aproximadamente 1,9%, para US$ 114,48 por barril.

A queda acompanha informações sobre esforços diplomáticos envolvendo Catar, Irã e Estados Unidos.

Apesar do recuo, o petróleo permanece elevado após valorizar 6,2% na semana anterior.

Persistem riscos relacionados aos ataques houthis contra instalações e rotas energéticas sauditas.

Para o Brasil: petróleo elevado pode favorecer receitas de exportação, mas também pressiona inflação, combustíveis e custos de produção. Reuters

🇨🇳 China e minério de ferro

O CSI 300 recuava 0,5%, enquanto persistem preocupações com a demanda interna chinesa.

O minério de ferro continua pressionado pela fragilidade da siderurgia. Não foi possível confirmar uma cotação atualizada suficientemente confiável para esta manhã.

Para a B3: a demanda chinesa permanece relevante para mineradoras e siderúrgicas, independentemente dos acontecimentos políticos brasileiros. Reuters

🇧🇷 Selic, Copom, inflação e curva de juros

A Selic permanece em 13,75% ao ano.

O IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, abaixo das expectativas, mas acumulou 4,62% em doze meses.

A possível desvalorização cambial acrescenta um risco inflacionário, principalmente pelos custos de importação.

Na curva de juros, o fator central será a evolução dos prêmios fiscais. Juros longos mais elevados encarecem o financiamento e podem pressionar as avaliações das empresas. IBGE

🏛️ Cenário fiscal e institucional

A dívida pública, o controle das despesas e a capacidade de articulação com o Congresso permanecem no centro da avaliação econômica.

A contestação do resultado eleitoral anunciada pela oposição acrescenta uma dimensão institucional, mas seus efeitos dependem de acontecimentos concretos.

A reação inicial dos mercados não representa, por si só, uma mudança efetiva na política fiscal. Reuters

🔎 O que realmente importa?

Movimento global: petróleo elevado, inflação americana persistente e cautela nas bolsas internacionais.

Fator brasileiro: reavaliação dos ativos após o resultado eleitoral.

Sinais relevantes: câmbio efetivamente negociado, curva de juros, comportamento do Ibovespa e manifestações econômicas oficiais.

Ruído: projeções de quedas específicas, especulações políticas e cotações isoladas de mercados com pouca liquidez.

📌 Leitura final

O cenário internacional apresenta cautela, mas não registra deterioração generalizada comparável à observada nos ativos brasileiros negociados durante a madrugada.

A reação doméstica está associada principalmente à revisão das expectativas econômicas após o resultado eleitoral.

O comportamento conjunto do Ibovespa, do dólar e dos juros futuros permitirá avaliar a intensidade dessa reprecificação.

Os fundamentos fiscais e monetários continuarão sendo determinantes para uma análise além da reação imediata.

📚 Fontes consultadas

📊 Painel do Radar — 26 de outubro

VetorClassificação para o Ibovespa
Bolsas internacionais🟡 Neutro
Treasuries americanos🟡 Neutro
Fed e inflação americana🔴 Desfavorável
Petróleo🟡 Neutro — efeitos mistos
Geopolítica internacional🔴 Desfavorável
China🟡 Neutro
Minério de ferro🔴 Desfavorável
Câmbio brasileiro🔴 Desfavorável
Selic e Copom🟡 Neutro
Inflação brasileira🟡 Neutro
Curva de juros brasileira🔴 Desfavorável
Cenário fiscal🔴 Desfavorável
Reprecificação pós-eleitoral🔴 Desfavorável
Cenário global🟡 Neutro, com riscos inflacionários
Cenário doméstico🔴 Desfavorável na reação inicial

Classificações qualitativas, sem caráter preditivo. Dados internacionais disponíveis na manhã de 26/10/2026, antes da abertura da B3. As indicações noturnas não representam cotações oficiais do mercado brasileiro.

Radar P&P — informação para compreender, não para prever.

Conteúdo exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de compra ou venda de ativos nem sugestão de operações financeiras.

Conhecimento para investir. Paciência para prosperar.

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