Reeleição de Lula provoca forte reação dos ativos brasileiros no exterior. ETF de ações brasileiras recua quase 20% nas negociações noturnas, enquanto o dólar futuro internacional indica desvalorização do real. No cenário global, petróleo e juros americanos continuam no centro das atenções.
O Radar P&P desta segunda-feira destaca a repercussão econômica do segundo turno presidencial e seus possíveis efeitos sobre o Ibovespa, o câmbio e a curva de juros.
A prioridade é distinguir a reação inicial dos investidores de mudanças efetivas nos fundamentos econômicos brasileiros.
🗳️ Brasil: resultado eleitoral e reação internacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo, 25 de outubro, derrotando o senador Flávio Bolsonaro.
Com praticamente todas as urnas apuradas, o resultado indicava aproximadamente 51,78% dos votos válidos para Lula e 48,22% para Bolsonaro.
A repercussão financeira começou ainda no domingo, quando ativos brasileiros negociados no exterior registraram quedas expressivas.
A explicação predominante entre profissionais de mercado é a reversão de posições construídas sobre expectativas de mudança na política econômica. Reuters
📉 ADRs e ETF brasileiro: fortes perdas noturnas
Por volta de 1h de segunda-feira, os seguintes movimentos eram registrados em Nova York:
| Indicador | Variação aproximada |
| ETF brasileiro EWZ | 🔴 -19,61% |
| ADRs de bancos brasileiros | 🔴 -10% a -18% |
| ADRs de petroleira brasileira | 🔴 -15,9% |
| ADR de grande mineradora brasileira | 🔴 -4,19% |
| Real futuro em Chicago | 🔴 -10,14% |
O contrato de real indicava cotação equivalente a aproximadamente R$ 5,57 por dólar, contra cerca de R$ 4,99 no fechamento brasileiro de sexta-feira.
Atenção: essas negociações apresentam liquidez reduzida. A queda do EWZ, cotado em dólares, incorpora efeitos cambiais e não equivale automaticamente à variação do Ibovespa. Exame
🌎 Bolsas internacionais: cautela, sem queda generalizada
Os mercados asiáticos apresentam comportamento relativamente estável nesta manhã.
O Nikkei japonês recuava 0,2%, enquanto o Kospi sul-coreano perdia 0,5%. O CSI 300 chinês caía aproximadamente 0,5%.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 avançavam 0,2%, enquanto os do Nasdaq subiam 0,1%.
A diferença é relevante: a pressão sobre os ativos brasileiros é muito mais intensa que o movimento observado nas principais bolsas internacionais.
Isso reforça a influência de fatores especificamente domésticos. Reuters
🇺🇸 Fed, Treasuries e inflação americana
O Treasury americano de dez anos negociava próximo de 4,97% ao ano.
O Federal Reserve anunciará sua decisão monetária nesta quarta-feira, 28 de outubro.
A expectativa predominante é de manutenção dos juros, enquanto a inflação americana continua pressionada.
Juros elevados nos Estados Unidos aumentam a concorrência por capital internacional e podem dificultar a recuperação de mercados emergentes.
Entretanto, a relativa estabilidade dos Treasuries nesta manhã não explica, isoladamente, a intensidade das perdas dos ativos brasileiros. Reuters
🛢️ Petróleo e geopolítica
O Brent recuava aproximadamente 1,9%, para US$ 114,48 por barril.
A queda acompanha informações sobre esforços diplomáticos envolvendo Catar, Irã e Estados Unidos.
Apesar do recuo, o petróleo permanece elevado após valorizar 6,2% na semana anterior.
Persistem riscos relacionados aos ataques houthis contra instalações e rotas energéticas sauditas.
Para o Brasil: petróleo elevado pode favorecer receitas de exportação, mas também pressiona inflação, combustíveis e custos de produção. Reuters
🇨🇳 China e minério de ferro
O CSI 300 recuava 0,5%, enquanto persistem preocupações com a demanda interna chinesa.
O minério de ferro continua pressionado pela fragilidade da siderurgia. Não foi possível confirmar uma cotação atualizada suficientemente confiável para esta manhã.
Para a B3: a demanda chinesa permanece relevante para mineradoras e siderúrgicas, independentemente dos acontecimentos políticos brasileiros. Reuters
🇧🇷 Selic, Copom, inflação e curva de juros
A Selic permanece em 13,75% ao ano.
O IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, abaixo das expectativas, mas acumulou 4,62% em doze meses.
A possível desvalorização cambial acrescenta um risco inflacionário, principalmente pelos custos de importação.
Na curva de juros, o fator central será a evolução dos prêmios fiscais. Juros longos mais elevados encarecem o financiamento e podem pressionar as avaliações das empresas. IBGE
🏛️ Cenário fiscal e institucional
A dívida pública, o controle das despesas e a capacidade de articulação com o Congresso permanecem no centro da avaliação econômica.
A contestação do resultado eleitoral anunciada pela oposição acrescenta uma dimensão institucional, mas seus efeitos dependem de acontecimentos concretos.
A reação inicial dos mercados não representa, por si só, uma mudança efetiva na política fiscal. Reuters
🔎 O que realmente importa?
Movimento global: petróleo elevado, inflação americana persistente e cautela nas bolsas internacionais.
Fator brasileiro: reavaliação dos ativos após o resultado eleitoral.
Sinais relevantes: câmbio efetivamente negociado, curva de juros, comportamento do Ibovespa e manifestações econômicas oficiais.
Ruído: projeções de quedas específicas, especulações políticas e cotações isoladas de mercados com pouca liquidez.
📌 Leitura final
O cenário internacional apresenta cautela, mas não registra deterioração generalizada comparável à observada nos ativos brasileiros negociados durante a madrugada.
A reação doméstica está associada principalmente à revisão das expectativas econômicas após o resultado eleitoral.
O comportamento conjunto do Ibovespa, do dólar e dos juros futuros permitirá avaliar a intensidade dessa reprecificação.
Os fundamentos fiscais e monetários continuarão sendo determinantes para uma análise além da reação imediata.
📚 Fontes consultadas
- Reuters — Mercados globais, 26/10/2026.
- Reuters — Resultado eleitoral e repercussão econômica, 25/10/2026.
- Exame — ADRs, EWZ e câmbio, 26/10/2026.
- Reuters — Avaliação de profissionais do mercado brasileiro, 25/10/2026.
- IBGE — Indicadores oficiais de inflação.
- UOL — Fechamento do mercado brasileiro, 23/10/2026.
📊 Painel do Radar — 26 de outubro
| Vetor | Classificação para o Ibovespa |
| Bolsas internacionais | 🟡 Neutro |
| Treasuries americanos | 🟡 Neutro |
| Fed e inflação americana | 🔴 Desfavorável |
| Petróleo | 🟡 Neutro — efeitos mistos |
| Geopolítica internacional | 🔴 Desfavorável |
| China | 🟡 Neutro |
| Minério de ferro | 🔴 Desfavorável |
| Câmbio brasileiro | 🔴 Desfavorável |
| Selic e Copom | 🟡 Neutro |
| Inflação brasileira | 🟡 Neutro |
| Curva de juros brasileira | 🔴 Desfavorável |
| Cenário fiscal | 🔴 Desfavorável |
| Reprecificação pós-eleitoral | 🔴 Desfavorável |
| Cenário global | 🟡 Neutro, com riscos inflacionários |
| Cenário doméstico | 🔴 Desfavorável na reação inicial |
Classificações qualitativas, sem caráter preditivo. Dados internacionais disponíveis na manhã de 26/10/2026, antes da abertura da B3. As indicações noturnas não representam cotações oficiais do mercado brasileiro.
Radar P&P — informação para compreender, não para prever.
Conteúdo exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de compra ou venda de ativos nem sugestão de operações financeiras.
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