Ibovespa registra maior queda desde 2020, dólar supera R$ 5,40 e juros futuros disparam após o resultado eleitoral. Enquanto isso, Wall Street avança, bolsas asiáticas se recuperam e petróleo permanece pressionado pelas tensões no Oriente Médio.
O Radar P&P desta terça-feira analisa os acontecimentos de segunda-feira, 26 de outubro, e seus efeitos sobre os mercados brasileiros.
O principal destaque é a diferença entre a recuperação internacional das bolsas e a forte deterioração dos ativos brasileiros.
Informações disponíveis na manhã de 27/10, antes da abertura da B3.
🇧🇷 Ibovespa: maior queda desde 2020
O Ibovespa encerrou segunda-feira com queda de aproximadamente 13,9%, aos 176,6 mil pontos.
A intensidade das vendas provocou o acionamento do circuit breaker, interrompendo as negociações por 30 minutos.
O dólar comercial avançou 8,21%, encerrando próximo de R$ 5,40.
A reação ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando posições de investidores que antecipavam uma mudança na política econômica.
O movimento representa uma reavaliação das expectativas, não uma deterioração fiscal já concretizada. Reuters
🌎 Bolsas internacionais: recuperação contrasta com Brasil
Wall Street encerrou segunda-feira em alta:
| Índice | Variação |
| Dow Jones | +0,29% |
| S&P 500 | +0,70% |
| Nasdaq | +0,83% |
Nesta manhã, o Nikkei japonês avançava aproximadamente 2,2%, enquanto o Kospi sul-coreano subia 3,6%.
Na China, os índices apresentavam pequenas perdas.
O desempenho positivo das empresas de tecnologia contribuiu para a recuperação internacional.
Para a B3: a divergência reforça que a pressão observada no Brasil teve origem predominantemente doméstica. AP News
🇺🇸 Fed, Treasuries e inflação americana
O Treasury americano de dez anos recuou para aproximadamente 4,98% ao ano, contra 5% no fechamento anterior.
O Federal Reserve anunciará sua decisão monetária nesta quarta-feira, 28 de outubro.
A expectativa predominante é de manutenção dos juros.
A inflação americana continua elevada, enquanto os custos de energia representam risco adicional.
Juros americanos menores podem aliviar as condições financeiras globais, mas não compensam automaticamente o aumento dos prêmios de risco brasileiros. AP News
🛢️ Petróleo e geopolítica
O Brent negociava próximo de US$ 116,24 por barril nas primeiras horas desta terça-feira.
As negociações diplomáticas envolvendo Irã, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão oferecem perspectivas de redução das tensões.
Entretanto, novos ataques houthis contra instalações sauditas mantêm elevados os riscos de abastecimento.
Para o Brasil, o petróleo caro pode favorecer receitas de exportadoras, mas também pressiona combustíveis, transporte e inflação.
O fator determinante continua sendo a segurança do abastecimento energético internacional. Reuters
🇨🇳 China e minério de ferro
A economia chinesa continua enfrentando dificuldades no setor imobiliário e na demanda por aço.
O minério de ferro permanece pressionado pela combinação de consumo siderúrgico moderado e perspectivas de aumento da oferta.
Não foi possível confirmar uma cotação atualizada suficientemente confiável para esta manhã.
Para a B3: a demanda chinesa continua sendo um fator importante para mineradoras e siderúrgicas, independentemente da situação política brasileira. Kitco
📉 Curva de juros: principal sinal de risco doméstico
A curva brasileira apresentou forte abertura na segunda-feira.
O DI para janeiro de 2031 atingiu aproximadamente 15,19% ao ano, contra cerca de 12,65% anteriormente.
O risco soberano também aumentou. O CDS brasileiro de cinco anos passou de 120 para 144 pontos-base.
Diante da volatilidade, o Tesouro Nacional cancelou leilões programados e realizou recompras de aproximadamente R$ 14,8 bilhões em títulos públicos.
A elevação dos juros longos encarece o financiamento público e privado, afetando especialmente empresas dependentes de crédito. Folha de S.Paulo
🏦 Selic, Copom e inflação
A Selic permanece em 13,75% ao ano.
O Boletim Focus divulgado segunda-feira apresentou projeções de inflação de 5,19% para 2026 e 4,34% para 2027.
Entretanto, essas estimativas foram coletadas antes do segundo turno presidencial.
A forte valorização do dólar acrescenta riscos inflacionários e levou o mercado futuro a reconsiderar as expectativas para a próxima reunião do Copom.
A evolução do câmbio e das expectativas de inflação será fundamental para avaliar o espaço disponível para mudanças na Selic. UOL Economía
🏛️ Cenário fiscal e político-institucional
A repercussão internacional da eleição concentrou-se principalmente nas perspectivas fiscais brasileiras.
Investidores passaram a exigir maior remuneração para financiar o país, diante das dúvidas sobre a trajetória da dívida pública.
A definição da equipe econômica e a apresentação de medidas fiscais concretas serão importantes para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.
O resultado eleitoral está definido, mas a política econômica de 2027 ainda dependerá de decisões administrativas, orçamentárias e legislativas. Reuters
🔎 O que realmente importa?
Movimento global: recuperação das bolsas internacionais, expectativa pela decisão do Fed e riscos energéticos.
Fatores brasileiros: reprecificação dos ativos, alta do dólar, abertura da curva de juros e preocupações fiscais.
Sinais relevantes: comportamento conjunto do câmbio, dos juros futuros e do risco soberano, além de medidas econômicas oficiais.
Ruído: especulações sobre nomes e políticas ainda não confirmadas, oscilações isoladas e tentativas de antecipar a direção do Ibovespa.
📌 Leitura final
A segunda-feira confirmou uma forte reavaliação dos ativos brasileiros após o resultado eleitoral.
Entretanto, a recuperação de Wall Street e das bolsas asiáticas demonstra que o movimento não correspondeu a uma deterioração generalizada dos mercados internacionais.
O principal fator a acompanhar agora é a evolução dos juros longos brasileiros, cuja elevação pode afetar o financiamento das empresas, as contas públicas e as expectativas econômicas.
A reação inicial foi expressiva, mas sua persistência dependerá dos fundamentos e das decisões econômicas efetivamente adotadas.
📚 Fontes consultadas
- Reuters — Reação dos mercados brasileiros, 26/10/2026.
- Folha de S.Paulo — Ibovespa, câmbio, juros e Tesouro, 26/10/2026.
- Associated Press — Bolsas internacionais e Treasuries, 27/10/2026.
- Reuters — Petróleo e tensões no Oriente Médio, 27/10/2026.
- UOL — Boletim Focus, 26/10/2026.
- Reuters — Minério de ferro e demanda chinesa, 15/10/2026.
📊 Painel do Radar — 27 de outubro
| Vetor | Avaliação para o Ibovespa |
| Bolsas internacionais | 🟢 Favorável |
| Treasuries americanos | 🟢 Favorável — recuo dos rendimentos |
| Fed e inflação americana | 🟡 Neutro |
| Dólar internacional | 🟡 Neutro |
| Petróleo | 🟡 Neutro — efeitos mistos |
| Geopolítica internacional | 🔴 Desfavorável |
| China | 🟡 Neutro |
| Minério de ferro | 🔴 Desfavorável |
| Câmbio brasileiro | 🔴 Desfavorável |
| Selic e Copom | 🔴 Desfavorável — expectativas pressionadas |
| Inflação brasileira | 🔴 Desfavorável |
| Curva de juros brasileira | 🔴 Desfavorável |
| Cenário fiscal | 🔴 Desfavorável — prêmio de risco elevado |
| Reprecificação pós-eleitoral | 🔴 Desfavorável |
| Cenário global | 🟡 Neutro, com melhora das bolsas |
| Cenário doméstico | 🔴 Desfavorável pela pressão sobre câmbio e juros |
Classificações qualitativas, sem caráter preditivo. Não representam expectativas para o pregão de 27/10/2026.
Radar P&P — informação para compreender, não para prever.
Conteúdo exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, indicação de compra ou venda de ativos nem sugestão de operações financeiras.
Conhecimento para investir. Paciência para prosperar.
