Radar P&P — 9 de outubro de 2026

Petróleo recua após forte alta, Treasuries encontram algum alívio e bolsas asiáticas ensaiam recuperação. No Brasil, o IPCA de setembro e a curva de juros concentram as atenções.

O Radar P&P de 9 de outubro de 2026 começa com um cenário internacional ligeiramente menos pressionado, mas ainda marcado por juros elevados e incertezas geopolíticas.

No Brasil, o Ibovespa recuperou parte das perdas recentes, sustentado por empresas ligadas ao petróleo e pela redução dos juros futuros. Hoje, a divulgação da inflação oficial poderá alterar as expectativas para a Selic.

🌎 Bolsas internacionais: recuperação ainda frágil

Wall Street encerrou quinta-feira com resultados mistos: S&P 500 caiu 0,45%, Nasdaq recuou 1,25% e Dow Jones avançou 0,10%.

Nesta manhã, o índice MSCI Ásia-Pacífico, excluindo Japão, subia aproximadamente 0,5%. O Nikkei japonês recuava 0,25%, enquanto os futuros do Nasdaq avançavam cerca de 0,5%.

A recuperação parcial ocorre após uma semana de preocupações com energia, juros e financiamento dos investimentos em inteligência artificial. Folha de S.Paulo

Leitura para a B3: o exterior oferece algum alívio, mas ainda não apresenta sinais consistentes de melhora das condições financeiras globais.

🇺🇸 Treasuries, Fed e inflação

O rendimento do Treasury americano de dez anos recuou na quinta-feira, encerrando próximo de 5,23%, depois de atingir máximas de 24 anos.

A melhora ocorreu após um leilão de títulos de 30 anos encontrar demanda consistente.

Entretanto, dirigentes do Federal Reserve continuam sinalizando preocupação com a inflação. Christopher Waller afirmou que novos aumentos de juros provavelmente serão necessários. Reuters

Juros americanos elevados aumentam o custo global de financiamento e podem reduzir a atratividade relativa dos mercados emergentes.

O recuo dos Treasuries é favorável, mas ainda insuficiente para caracterizar uma mudança de tendência.

🛢️ Petróleo e geopolítica

Depois de subir 3,7% na quinta-feira, o Brent recuava aproximadamente 1,2% nesta manhã, negociado perto de US$ 103 por barril.

O alívio ocorreu após declarações do presidente americano Donald Trump descartando ataques dos Estados Unidos ao Irã antes das eleições legislativas de novembro.

As tensões no Oriente Médio, entretanto, continuam ameaçando o transporte marítimo de petróleo. WTVB

Para o Ibovespa, o efeito permanece misto: petróleo elevado favorece receitas de produtoras, mas pressiona inflação, transporte e expectativas de juros.

🇨🇳 China e minério de ferro

A China retomou suas negociações após o feriado prolongado.

O principal ponto de atenção continua sendo a demanda por minério de ferro, especialmente diante das dificuldades do setor imobiliário e da atividade siderúrgica chinesa.

Sem uma cotação atual suficientemente confirmada para esta edição, o minério permanece em observação.

O sinal relevante será a consistência da demanda chinesa, não uma oscilação isolada da commodity.

🇧🇷 Brasil: Ibovespa recupera terreno

O Ibovespa encerrou quinta-feira com alta de 0,94%, aos 206.220 pontos.

O dólar comercial terminou próximo de R$ 5,02, com leve valorização.

A recuperação foi sustentada pelo petróleo e pelas expectativas de mudanças na política fiscal após o primeiro turno presidencial. Exame

O mercado continua atribuindo importância às propostas de ajuste das contas públicas a partir de 2027.

Entretanto, expectativas eleitorais não representam medidas implementadas.

A trajetória da dívida, o controle das despesas obrigatórias e a capacidade de articulação no Congresso permanecem fundamentais, independentemente do resultado eleitoral.

💰 Selic e curva de juros

A Selic permanece em 13,75% ao ano, após o corte realizado pelo Copom em setembro.

Na quinta-feira, os juros futuros brasileiros voltaram a recuar. A taxa do contrato para janeiro de 2035 caiu para aproximadamente 12,56%. Agência Brasil

Essa redução pode favorecer empresas dependentes de crédito e consumo doméstico.

Entretanto, a continuidade do movimento dependerá da inflação, das condições internacionais e da credibilidade fiscal.

📅 Agenda: IPCA é o destaque

Às 9h, o IBGE divulgará o IPCA de setembro.

Em agosto, a inflação havia registrado queda de 0,32%, acumulando 4,22% em doze meses.

O resultado de hoje poderá influenciar diretamente as expectativas para os próximos movimentos do Copom.

Nos Estados Unidos, às 11h, serão divulgados indicadores preliminares de confiança do consumidor e expectativas de inflação da Universidade de Michigan. Exame

⚖️ Movimento global ou brasileiro?

Fatores globais: petróleo, Treasuries, política monetária americana e tensões geopolíticas continuam determinando as condições internacionais de financiamento.

Fatores brasileiros: inflação, expectativas fiscais, segundo turno eleitoral e curva de juros explicam parte importante do comportamento recente dos ativos domésticos.

Sinal relevante: mudanças persistentes nos juros, na inflação e na percepção de risco fiscal.

Ruído: declarações políticas sem consequências econômicas concretas e oscilações pontuais sem alteração dos fundamentos.

📊 Painel do Radar — 9 de outubro

VetorClassificação
Bolsas internacionais🟡 Neutro
Treasuries americanos🟢 Favorável pelo recuo recente
Fed e inflação americana🔴 Desfavorável
Petróleo🟡 Neutro — efeito misto
China e minério🟡 Neutro
Geopolítica🔴 Desfavorável
Dólar internacional🔴 Desfavorável
Câmbio brasileiro🟡 Neutro
Selic e Copom🟡 Neutro
Curva de juros brasileira🟢 Favorável
Cenário fiscal🟡 Neutro
Cenário eleitoral🟡 Neutro
IPCA brasileiro🟡 Neutro — aguardando divulgação
Cenário global🟡 Neutro, com riscos desfavoráveis
Cenário doméstico🟡 Neutro, com suporte dos juros futuros

Leitura final: a sexta-feira começa com algum alívio internacional, mas os juros americanos e o petróleo continuam elevados. No Brasil, o IPCA será o principal indicador para avaliar as perspectivas de inflação e juros. A consistência da recuperação recente dependerá de fundamentos econômicos, não apenas de expectativas eleitorais.

Radar P&P — informação para compreender, não para prever.

Conteúdo exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento nem indicação de operações financeiras.

Fontes: Reuters — mercados internacionais, 9/10 · Reuters — Treasuries, 8/10 · Exame — agenda econômica, 9/10 · Folha — mercado brasileiro, 8/10.

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